• Marcos Pantaleoni

Lino e o Pássaro de Fogo


"Papai, quero ouvir o Pássaro de Fogo". É assim faz alguns meses, meu filho Lino, que hoje tem 2 anos e 9 meses, pede para ouvir, "do começo", logo quando entramos no carro. E, em viagens mais longas, ouve com bastante envolvimento até o fim.

O Pássaro de Fogo (1910) foi, juntamente com Petrushka e A Sagração da Primavera, uma das obras para balé que Stravinsky compôs, em colaboração com o coreógrafo Diaghlev. A suíte, no entanto, se basta por si só. Posso ouvir quantas vezes for que não me canso.


De tanto ouvir o L'Oiseau de Feu (a versão suíte), constante passou a ser uma pergunta que tenho sobre o processo criativo do Igor Stravinsky: é possível imaginar uma obra como L'Oiseau antes da mesma existir? Ou uma obra com tamanha complexidade apenas se releva para o próprio compositor no ato da sua execução?


Eu diria que nem o próprio Stravinsky era capaz de imaginar o resultado sonoro do Pássaro de Fogo, mas que o mesmo tinha domínio técnico o bastante para garantir bons resultados ao seu labor criativo. Acho que o que estou dizendo pode ficar mais claro após uma escuta atenta à trechos como "A variação do pássaro de fogo". Achei um vídeo do próprio regendo uma orquestra japonesa.

Trechos como esse, assim como vários outros trechos nesta e em outras obras de Stravinsky e outros grandes mestres compositores são complexos até mesmo para um ouvido absoluto muito bem treinado. Não se ouve notas, mas sim gestos. Gestos e timbres complexos, criados a partir da combinação dos vários instrumentos da orquestra.

A cada vez que reflito sobre imaginação e resultado na criação musical em obras como esta, mais acredito que o resultado final é inimaginável para o próprio autor, mas que o bom sucesso é garantido pela experiência e pelo domínio técnico pleno da arte de compor e orquestrar.




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